2 de nov. de 2009

This Is It... O espetáculo que nunca aconteceu

Confesso que eu estava relutante em assistir ao documentário This Is It nos cinemas. Não por duvidar da sua qualidade, longe disso! Mas por achar que talvez eu não conseguiria conter o famoso cisco no olho. E olha que eu não sou uma pessoa de chorar em filmes - acho que a única vez que chorei no cinema foi ao assistir O Rei Leão quando criança.

Mas com This Is It eu tinha certeza que iria acabar cedendo, afinal (e quem me conhece sabe disso) sou fã de Michael Jackson desde que me conheço por gente. Lembro de ter ficado hipnotizado, aos oito anos de idade, vendo pela tv aquele artista se mover como um desenho animado em cima do palco, em sua apresentação no Morumbi. "Quero ser amigo dele!" era meu desejo na época.

Minha admiração por suas músicas e vídeos só aumentou no decorrer dos anos, pois nunca me importei com o que a mídia dizia sobre ele. Além de nunca duvidar da sua inocência, eu sempre procurei me concentrar no artista. Me subia o sangue toda vez que o criticavam, principalmente pela aparência. Tudo bem, Michael exagerou em seu rosto e tinha alguns comportamentos excêntricos... mas nunca devemos julgar um livro pela capa. E era justamente isso o que faziam com ele.

O que me consola é ter a certeza de que Michael sabia que seus fãs sempre estiveram do seu lado. Os fãs de verdade, aqueles que enxergavam o artista além do que era publicado nas páginas de Contigos e UOLs da vida. Bom, mas isso é um desabafo para outra ocasião... Vamos voltar ao documentário:

This Is It foi concebido em torno de imagens captadas durante os ensaios da série de 50 shows que Michael faria em Londres - todos eles com ingressos esgotados. Logo no início do filme uma mensagem nos avisa: "este é um documentário feito para os fãs". O que se segue são cenas que não apresentam nada de muito novo aos fãs, pois mostram toda a genialidade, o talento indiscutível e a bondade de Michael Jackson... características que todos os fãs já conheciam.

O que This Is It proporciona de diferente, isso sim, é um olhar mais cru nos processos de concepção de um espetáculo de Michael Jackson. E Michael está presente em todos esses momentos - participa da seleção dos dançarinos, da marcação do palco, da escolha dos efeitos especiais, da criação das coreografias e, em alguns momentos, chega a usar a própria voz para mostrar aos músicos as notas que devem ser atingidas com os instrumentos musicais.

As cenas mostram também um artista extremamente educado, simples e preocupado com a mensagem a ser transmitida ao público; preocupado também com o futuro do planeta, da natureza e dos animais - características essas, aliás, que sempre estiveram presentes em suas obras.

Completamente musical, This Is It traz suas principais canções: Black and White, Beat it, Billie Jean, Earth Song, Man In The Mirror, Smooth Criminal, They Don't Care About Us, entre tantas outras. Isso faz com que tanto os fãs de sempre como os mais novos se epolguem e se emocionem com as cenas.

This Is It é um breve olhar naquele que seria o espetáculo mais grandioso que o planeta conheceria. Cheio de efeitos especiais inovadores, telões gigantescos e imagens em terceira dimensão, essa série de shows seria o retorno triunfal daquele que foi sem sombra de dúvidas o maior entertainer que o mundo já viu. Mas, acima de tudo, This Is It é uma última oportunidade para os fãs se despedirem do Rei do Pop.

Ah, e o cisco no olho é inevitável, assim como a salva de palmas ao final da sessão.

Abaixo, o trailer:

28 de out. de 2009

Aprenda com filmes - 15 dicas

Os filmes podem ser verdadeiras escolas da vida (ou não). Conheça 15 fatos que nós aprendemos com eles:

01. todos os telefones americanos possuem apenas três dígitos;

02. você consegue ver a Torre Eiffel de praticamente qualquer janela de Paris;

03.
quando for pagar a conta do taxi, não olhe para a carteira - apenas pegue a primeira nota que aparecer, será o valor exato da corrida;


04. as pessoas da Idade Média possuem dentes perfeitos;

05. um simples fósforo será o suficiente para iluminar um salão do tamanho do Morumbi;

06.
o sistema de ventilação de qualquer prédio é sempre o melhor lugar para se esconder ou escapar - você pode ir para qualquer lugar do prédio através dele;


07.
99% dos carros que se envolvem em um acidente pegam fogo;


08. o chefe de polícia provavelmente irá despedir seu melhor detetive, ou dar a ele 48 horas para provar que está certo;

09.
sua arma sempre terá munição reserva, mesmo que você não esteja carregando nenhuma;

10. é sempre possível estacionar bem em frente ao lugar que você está visitando;

11.
plantões noticiários sempre mostram notícias que te afetam de alguma maneira - e o volume aumenta sozinho bem nessa hora;


12. todas as bombas possuem contadores digitais com grandes números vermelhos para que você saiba exatamente o momento em que ela irá explodir;

13. não importa se você está sozinho em uma luta que envolva artes marciais, seus inimigos irão esperar pacientemente para te atacar um de cada vez enquanto os outros ficam dançando em volta aguardando a vez;

14. uma cerca elétrica gigante, poderosa o suficiente para segurar um dinossauro, não irá fazer nada em uma criança de oito anos;

15.
todo mundo conhece Ferris Bueller!

fonte: James S. Huggins'

23 de out. de 2009

Dica de documentário: Boy Interrupted

Boy Interrupted (HBO Films, 2008) é um documentário que levanta questões. Por que Evan Scott Perry, um garoto de 15 anos, decidiu cometer suicídio? Por que ninguém conseguiu ajudá-lo a tempo?

O filme procura encontrar as respostas ao mostrar a vida que Evan levava, através da edição de imagens reais captadas pela câmera da família, desde o nascimento até poucos dias antes de sua morte. É um documentário perturbador, produzido pelos próprios pais, cineastas, que nos mostra o jovem em momentos íntimos e em sua luta contra o transtorno bipolar depressivo.

Mas o que leva uma mãe a fazer um documentário sobre a morte do próprio filho? Não sei, mas Boy Interrupted se mostra um documentário único, cujo processo de filmagem parece causar um sentimento de desespero tanto para a família quanto para o telespectador.

Danna Perry juntou inúmeras filmagens, fotografias e depoimentos de pessoas próximas para contar a história do filho, Evan: sua depressão, sua vida e sua morte, e o impacto dela na vida das pessoas que o amavam.

As imagens caseiras nos proporcionam momentos de reflexão e revelações, além de angústia. É uma história essencialmente humana, mais comum do que gostaríamos, e provavelmente o pior pesadelo de uma mãe ou de um pai.

Boy Interrupted está em cartaz na HBO e HBO2. Clique aqui para conferir as próximas exibições.

21 de out. de 2009

Um grande filme sueco

Muitos bons filmes europeus acabam passando despercebidos no Brasil, principalmente pelo fato do público brasileiro ainda ser muito bitolado apenas com os filmes norte-americanos... Infelizmente, uma vez que milhões gastos em efeitos especiais e atores famosos não são garantia de uma boa história.

Porém, ainda existem algumas boas (mas poucas) locadoras de vídeos cujos acervos ainda prezam também pelo bom gosto e alguns canais de tv (esses bem poucos) que às vezes nos contemplam com uma seleção de filmes interessantes - é possível, e aconselhável, curtir os vários estilos de filmes.

Ontem à noite eu estava zapeando pela tv quando me deparei com Raízes do Mal (Ondskan, Suécia - 2003) começando no canal Maxprime. Resolvi assistir, afinal a sinopse oferecida prometia, dizendo que o filme havia sido indicado a diversos prêmios internacionais.

A trama básica gira em torno de Erik Ponti (Andreas Wilson), um adolescente que sofre agressões físicas do pai e, como consequência, se torna um jovem violento e solitário. Após ser expulso do colégio, devido a uma briga, Erik é mandado pela mãe para uma instituição de ensino tradicional, onde somente os filhos de pessoas ricas e influentes estudam. Antes de partir, porém, ele promete à mãe que irá terminar seus estudos sem se envolver em mais confusões.

Lá, ele cria uma grande amizade com seu colega de quarto, um rapaz totalmente diferente de Erik - principalmente no temperamento. Mas conforme os dias se passam, Erik começa a vivenciar diversas situações de humilhação e injustiças por parte dos alunos mais velhos (monitores) que controlam os mais novos e possuem um código próprio de regras que ultrapassam os limites da ética e do bom senso.

Esses alunos agem de maneira violenta com Erik e seus amigos sem serem reprimidos pelos dirigentes, devido à influencia de suas famílias. Assim, Erik se vê em uma situação difícil: cumprir a promessa feita à mãe ou lutar contra os maus tratos e injustiças.

Raízes do Mal, que nos EUA ganhou o título de Evil, é um filme que nos causa uma certa inquietação desde o começo. Inquietação que vai se transformando em revolta. Em certos momentos dá vontade de pular para dentro da tela e ajudar o protagonista a encher alguns personagens de porrada. Perturbador, o filme conta com uma série de elementos chocantes que nos fazem pensar mas que, ao mesmo tempo, não nos apresenta nada que já não saibamos.

É um retrado de situações que vemos por aí, no nosso dia-a-dia, onde jovens da alta sociedade incendeiam índios Galdinos e, no fim, são protegidos por uma lei falha que se baseia na influência financeira.

O roteirista, Jan Guillou, disse que Raízes do Mal é, basicamente, uma história verdadeira e que Erik Ponti é seu alter ego. Algumas coisas, obviamente, foram acrescentadas para melhorar a trama, mas a violência e o terros psicológico fizeram parte do seu passado real. Aliás, a escola que ele frequentou quando jovem realmente sofreu escandalos sobre violência entre alunos e acabou fechando as portas após um jornal local publicá-los.

Raízes do Mal foi dirigido por Mikael Hafstrom e nomiado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2003, mas o roteirista Guillou não pôde comparecer porque não conseguiu visto para entrar nos Estados Unidos.

Trailer com legendas em inglês:

20 de out. de 2009

Guia de 2010

2010 está chegando... E com ele toda uma nova seleção de prováveis blockbusters. Aliás, 2010 não soa como um ano real, não é mesmo? Dois mil e dez! Parece mais um daqueles anos que vemos nos filmes futuristas da década de 80. Será que estamos chegando no futuro? Mas dessa vez não precisamos da ajuda de nenhum cientista maluco e seu carro com capacitor de fluxo para chegar até lá. Só bastar ter paciência.

Mas como sou impaciente, principalmente quando o assunto é filme, abaixo segue uma pequena lista de grandes blockbusters que nos aguardam em 2010. Preste bastante atenção neles, Marty...

Legion - janeiro
Direção:
Scott Stewart
Elenco:
Paul Bettany, Dennis Quaid, Charles S. Dutton
Em um restaurante na beira da estrada, às vesperas do Apocalipse, um grupo de estranhos sem querer acaba se tornando a última esperança da Terra ao descobrirem que a garçonete está grávida do Messias.

The Wolfman - fevereiro
Direção:
Joe Johnston
Elenco:
Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt
Lawrence (Del Toro) retorna à sua terra natal, onde seu irmão está desaparecido e os moradores estão sendo mortos por uma criatura desconhecida. Isso faz com que ele reencontre o pai (Hopkins) e se aproxime da noiva do irmão. A pior preocupação de Lawrence, no entanto, é a descoberta de um lado animal seu que ele nunca poderia imaginar que existisse...

Shutter Island - fevereiro
Direção:
Martin Scorsese
Elenco:
Leonardo DiCaprio, Emily Mortimer, Mark Ruffalo
Quando um assassino psicótico (Mortimer) desaparece de uma instituição mental na Ilha Shutter, dois oficiais da polícia (DiCaprio e Ruffalo) corre contra o tempo para tentar localizá-lo.

Alice in Wonderland - março
Direção:
Tim Burton
Elenco:
Mia Wasikowska, Johnny Depp
A jovem Alice, agora com 19 anos, retorna ao mundo mágico onde esteve quando criança, reencontrando seus velhos amigos e descobrindo seu destino: acabar com o reino de terror da Rainha de Copas.

Clash of the Titans - março
Direção:
Louis Leterrier
Elenco:
Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes
Em uma adaptação da mitologia grega, Perseus (Worthington), nascido deus e criado como humano, parte em uma jornada épica para combater Hades (Fiennes), antes que este acabe com os poderes de Zeus (Neeson) e espalhe o inferno sobre a Terra.


Iron Man 2 - abril
Direção:
Jon Favreau
Elenco:
Robert Downey Jr., Mickey Rourke, Gwyneth Paltrow
Sinopse pouco conhecida - Seis meses depois do evento do primeiro filme, Tony Stark (Downey Jr.) luta contra os problemas de possuir duas identidades; ao mesmo tempo, ele deve se preparar para uma nova série de ameaças e vilões.


Acho que podemos parar em abril, afinal não quero parecer tão impaciente assim.

16 de out. de 2009

Para Tarantino, as mulheres comandam!

Que Quentin Tarantino cultiva um pequeno fetiche por pés femininos todo mundo já sabe - basta reparar nos closes que o diretor costuma dar nos pés das atrizes principais dos seus filmes. Mas além disso, e do estilo sanguinário que carrega, Tarantino também é famoso por nos apresentar mulheres fortes e decisivas. Segue abaixo uma pequena listas dos seus filmes que possuem as personagens mais marcantes:


Pulp Fiction (1994) - dialogos rápidos, referências da cultura pop e gangsters que não param de falar apenas para ouvirem eles mesmo falando. Mas é Mia Wallace (Uma Thurman) quem rouba a cena. Leve-a a um bar e você pode acabar vencendo um concurso de dança. Ofereça droga a ela e verá o que é voltar à vida com uma injeção de adrenalina direto no coração.

Jackie Brown (1997) - encare a realidade: Jackie Brown (Pam Grier) é uma mulher muito esperta. Ela enxerga através das situações. Você até pode tentar bancar o cara durão, senhor Ando-Com-Um-Revólver, mas acabará ferrado do mesmo jeito.

Kill Bill (2003/04) - experimente fazer algum mal à Beatrix Kiddo (Uma Thurman)... Quando a hora chegar ela terá sua vingança (com muito sangue). Principalmente se tiver sido treinada por um mestre ninja barbudo.

Bastardos Inglórios (2009) - apesar de toda aliança e planejamento, os homens estregam tudo. Isso mostra porque Shosanna (Mélanie Laurent) decidiu agir por conta própria. Ah, e o sotaque lastimável do Brad Pitt só ajuda a atrapalhar ainda mais as intenções dela.


Quentin Tarantino possui ainda em seu currículo os ótimos
Cães de Aluguel (roteiro e direção), Death Proof (roteiro e direção), Um Drink no Inferno (roteiro) e Sin City (direção). Apesar da aura cult-independente, seus filmes sempre atraem figurões como George Clooney, John Travolta, Bruce Willis e Samuel L. Jackson.

13 de out. de 2009

Hal está no inferno

Hal Hetner (Reece Thompson) é um garoto esperto e perceptivo. Mas devido à sua gagueira ele é sempre paralizado por neuroses e ataques de pânico. A simples tarefa de pedir por uma pizza no refeitório da escola, ao invés de carne moída, é um tormento para ele.

Acrescente a esses problemas um irmão maldoso, a recente separação dos pais e o fato da mãe estar namorando o pai de um amigo seu cujo humor não é nada peculiar.
Sem poder contar com o suporte da família, Hal recebe os piores conselhos do psicólogo da escola: "volte para onde estava antes de ter tentado exceder suas expectativas".

Mas a verdadeira jornada de Hal ao inferno começa quando ele entra para o time de debates da escola... por causa de uma garota. Mais especificadamente, ele entra para o time devido à Ginny Ryerson (Anna Kendrick), aluna popular e uma expert em debates que recruta Hal com a teoria de que "as pessoas deformadas são as melhores. Talvez porque elas possuem uma fonte profunda de ódio" - referindo-se à gagueira de Hal. É fácil perceber, no entanto, que a razão da atração de Hal por Ginny é pelo fato de nenhuma garota como ela jamais ter dado tanta atenção à ele.

O que se segue em Rocket Science (2007) são acontecimentos que vão mudar a forma como Hal responde ao mundo - desde explosões de raiva que terminam com um violoncelo arremessado contra uma janela à tentativa de participar de um debate cantando (por causa da gagueira).

O diretor/roteirista
Jeffrey Blitz consegue ótimas atuações de todos no elenco, fazendo de Rocket Science o tipo de filme que raramente se encontra por aí. Produzido pela HBO, cujo histórico é repleto de ótimos filmes, o longa abre nossos olhos para as inúmeras formas da vitória.

Hal acaba não se dando tão bem nos debates. Mas ele com certeza se torna um 'vencedor' em inúmeros outros aspectos. Afinal, ganhar um concurso de debates é mesmo importante? É assim que Hal amadurece. E é assim que muitos outros filmes voltados para os adolescentes deveriam ser.


9 de out. de 2009

Vampiros, vampiros, vampiros e lobisomem

True Blood, Crepúsculo, Vampire Diaries, Blood Ties. Caramba, qual é a razão dessa invasão de vampiros na mídia? Para onde quer que você olhe vai encontrar uma garota que não se acha especial o suficiente caindo de amores por um sanguessuga centenário - este que faz de tudo para mantê-la afastada, afinal ele não é malvado como os outros e usa da razão quando diz que ela estará melhor longe dali. Ah, e provavelmente aparecerá no meio da história um lobisomem adolescente que - tchanam! - acaba também se apaixonando pela mocinha.

Eu estava lendo sobre isso na revista Empire e realmente é verdade - na próxima vez em que você passar por uma livraria dê uma olhada na quantidade de romances sobre vampiros disponíveis nas prateleiras. É fácil perceber que se trata de uma fórmula que ainda está em plena expansão (urg!).
Mas por que vampiros? E mais precisamente, por que, dadas as alternativas, as protagonistas sempre escolhem os chupadores de sangue ao invés do pobre homem lobo? Afinal, o lobisomem pode andar normalmente sob a luz do sol, aquecer a garota em uma noite fria e decidir a hora em que quer ser homem normal ou lobo. Ainda assim são os vampiros que parecem exercer um grau de fascinação maior sobre a maioria das mulheres.

Tudo bem que durante séculos os vampiros eram sinônimo de sexo (vide Drácula ou Entrevista com o Vampiro) - mas se você vasculhar os livros mais recentes vai perceber que eles se tornaram seres avessos ao sexo. Em Crepúsculo o protagonista foge dos desejos da mocinha como Drácula foge da cruz. Então por que vampiros? Se não é pela imagem sexual, talvez seja pela experiência... Afinal, eles são pessoas centenárias com muitas coisas para ensinar e inúmeras cantadas na memória - sendo tão experientes eles dizem o que as mulheres querem ouvir. Mas os lobisomens também vivem por séculos... Deve ser algo além disso, então.

Ambos, vampiros e lobisomens, estão sempre tentando esconder suas reais naturezas, recolhidos em auto-punição até que a mocinha da história descobre a verdade sobre eles. E, de alguma maneira, os vampiros acabam sendo aceitos mais facilmente, pois aos olhos das mulheres eles não possuem uma segunda opção - ao contrário dos lobisomens que, nas histórias recentes, podem escolher entre a forma humana ou de lobo (esqueça a lua cheia). Uma grande injustiça isso. Porém, sugere que as mulheres toleram aqueles que não têm como evitar o mal comportamento, mas não aceitam aqueles que possuem o poder da escolha e escolhem o errado.


Seja a razão que for, o fato é que essas histórias de vampiros estão ficando cada vez mais previsíveis - esteja ela em um livro, filme ou minisérie. Já está na hora dos autores acrescentarem novas combinações de personagens. Uma múmia talvez?


Abaixo, teaser trailer de True Blood (HBO):


7 de out. de 2009

Tiros em Ruanda

Quando você vira a caixinha do DVD para ler a sinopse desse filme na locadora, logo imagina que deve ser mais um Hotel Ruanda. Mas Tiros em Ruanda (Shooting Dogs, 2005) vai além - ele possui um olhar singular sobre a guerra civil daquele país e sobre o papel da ONU perante as pessoas que mais precisam dela, além de nos apresentar personagens interessantes e contraditórios que não demoram a ganhar nossa simpatia.

Tiros em Ruanda é baseado na guerra civil entre as etnias rivais Hutu e Tutsi que assolou o país africano na década de 90. A guerra terminou em genocídio quando mais de 800.000 pessoas da etnia Tutsi foram assassinadas de maneira brutal pelos Hutu, que acreditavam que Deus estava do seu lado.


Como em Hotel Ruanda, há muita emoção neste filme que nos faz criar laços com alguns dos seus personagens. Tiros em Ruanda parece fazer com que você queira estar dentro do filme, mesmo já sabendo o que irá acontecer no final.


A história começa quando o avião do presidente de Ruanda, da etnia Hutu, é derrubado. Com isso, a população Tutsi entende que é o sinal para começar uma guerra que já era declarada. Os Hutus, em disvantagem, são perseguidos e assassinados. Alguns deles se refugiam em uma escola da ONU gerenciada pelo padre Christopher (John Hurt) e o professor ativista Joe Connor (Hugh Dancy) na capital Kigali. As esperanças deles desparecerem quando a ONU decide não intervir no conflito, abandonando os milhares de inocentes que procuraram asilo na escola e tirando de Ruanda apenas as pessoas brancas e a imprensa.


John Hurt faz um trabalho brilhante interpretando o padre Christopher - um homem que insiste em tentar encontrar uma razão divina no meio de todo o horror. O professor (Hugh Dancy) também é um personagem singular cujo emocial começa a desmorar quando percebe que não há solução para tudo aquilo.

O fime, dirigido por Michael Caton-Jones, é muito bom na minha opinião e nos mostra o que realmente aconteceu em Ruanda. Várias pessoas que perderam parentes no conflito ajudaram nas filmagens. Hoje, Ruanda tem feito um belo trabalho para evitar conflitos como esse e também para lembrar aqueles que perderam suas vidas de maneira tão horrível. Confira o trailer: